O plano cruzado foi criado em 1986 com o intuito de reduzir a inflação, desestimular a especulação financeira, desinchar
o sistema bancário e estimular os investimentos produtivos. Substituiu a moeda cruzeiro pelo cruzado. Um cruzado equivalia a mil cruzeiros. Eliminou a correção monetária; congelou contratos, hipotecas e aluguéis por um ano, como também congelou preços e salários por prazo indeterminado. No entanto, não atacou os problemas estruturais da economia e sim os conjunturais, perdendo desta forma a sua eficácia.
Dentro deste contexto, alguns fatores são importantes assinalar o motivo do fracasso do plano: o governo não administrava bem a empresa publica, os preços de alguns bens não se encaixava com o plano; a extinção da correção monetária reduziu as cadernetas de poupança e o aumentou da demanda, a qual aliada a redução dos investimentos promoveram a estagnação do sistema produtivo. Além disso, o congelamento da taxa de câmbio durante meses inibiu as exportações e estimulou a importações já que os preços externos estavam relativamente mais baixo que os preços internos.
Com o fracasso do plano cruzado I, o governo lançou o cruzado II que impactou a economia com taxas de inflação na ordem de 25%, trazendo de volta a existência da correção monetária. A especulação financeira retorna com efeito redobrado.
Após o plano cruzado II, em junho de 1987, o governo criou novas medidas consubstanciadas no plano Novo Cruzado ou plano Bresser de caráter heterodoxo ou seja com bem poucas medidas monetaristas. Nos primeiros meses a inflação declinou, mas voltou a subir mais tarde, As exportações conseguem se reerguer. No entanto, a inflação, mesmo corn o piano, chega atingir 933,6% em 1988.
Na tentativa de reerguer a economia, o governo lançou mais um pacote de medidas económicas, denominado de plano verão. Neste, realizou-se o congelamento de preços e salários, extinguiu outra vez a correção monetária, cortou três zeros da moeda e aumentou a taxa de juros. Porém, apesar do êxito inicial do plano, o consumo continuou crescente, sem uma estrutura produtiva adequada, a inflação retornou, ou seja, mesmo com taxas nominais de juros elrvadas, a inflação esperada ou inflação inércial como era conhecida, também estivera em alta, Isto fez com que houvesse redução das taxas de juros reais que proporcionou urn aumento nos investimentos e na produção.
De fato, a inflação foi um grande problema da década de 80 e seus efeitos sobre a condução do setor produtivo foram bem difíceis: queda dos salários, baixo nível de crescimento, desemprego, entre outro. Estes três planos foram tentativas de administrat o caos inflacionário sem êxito algum. Somente o plano real, anos depois, conseguiria domar a “fera” e reestabelecer as bases para ampliar um modelo de crescimento mais adequado à realidade nacional.