A Curva de Phillips nos permite analisar os movimentos, a curto-prazo, do desemprego e da inflação. Ela mostra
que quanto mais alta a taxa de desemprego, menor a taxa de inflação, ou seja, menos desemprego pode ser alcançado obtendo-se mais inflação, ou a inflação pode ser reduzida permitindo-se mais desemprego. Em outras palavras, havia uma correlação negativa entre a inflação e o hiato (ou desemprego). Quanto maior a inflação, menor o desemprego.
O modelo abaixo faz referência a moderna Curva de Phillips. Em 1958, A. W. Phillips observou uma correlação negativa entre taxa de desemprego e inflação salarial. Mas, ao longo do tempo, o seu modelo sofreu algumas alterações:
a) Primeiro, a inflação salarial foi substituida pela inflação de preços.
b) Em seguida, Milton Friedman e Edmund Phelps desenvolveram o modelo de percepção equivocada do trabalhador, no final da década de 60. Com este acréscimo pode-se entender a importância das expectativas no comportamento da oferta agregada.
c) E, por último, a OPEP (organização dos países exportadores de petróleo), nos anos 70, ao provocar o aumento nos preços internacionais do petróleo, perceberam a importância da análise dos choques de oferta agregada na análise da inflação.
A curva de Phillips considera que a taxa de inflação (variação percentual no nível de preços) - (π)- depende de três forças:
· Inflação esperada
· Desemprego cíclico (afastamento do desemprego de sua taxa natural)
· Choques de oferta
Mas, ela não é válida a curto prazo, porque não há nenhuma troca significante entre inflação e desemprego, uma vez que a taxa de desemprego é basicamente independente da taxa de inflação num período muito grande.
A versão Friedman-Phelps da curva de Phillips, é a curva de Phillips aceleracionista. Utilizando o método das expectativas adaptativas ela indica que para que se mantenha a taxa de desemprego a níveis inferiores ao da taxa de desemprego natural, o que importa não é a taxa de inflação, mas sim sua variação, necessitando-se assim de taxas de inflação cada vez maiores para manter as taxas de desemprego abaixo da taxa natural.
O dilema inflação-desemprego foi devidamente corrigido ao longo do tempo com a descoberta do fenômeno das expectativas racionais por Lucas, Phelps e Friedman. Mas ainda assim o hiato do produto permanece até hoje como um componente que pode influenciar a "aceleração da inflação" e estão nos modelos dos bancos centrais de metas de inflação.
A hipótese das expectativas adaptativas: as pessoas formam suas expectativas em relação à inflação com base na inflação passada.
Suponha que as pessoas esperem que os preços aumentem neste ano à mesma taxa em que aumentaram no ano passado. Então, a inflação dependerá da inflação passada, do desemprego cíclico e de um choque de oferta.
Ainda que a taxa de desemprego esteja à sua taxa natural e não aconteçam choques de oferta, a inflação continuará crescendo. Esse crescimento só será interrompido quando houver algum evento, como uma recessão ou um choque de oferta que reduza a inflação e, por conseguinte, as expectativas inflacionárias.